ALÉM DOS NÚMEROS

BIAPÓ EM SUA CASA

O Biapó em sua Casa tem como foco os trabalhadores do canteiro de obra e suas famílias, com o objetivo de proporcionar uma melhoria na moradia dos seus colaboradores, contribuindo para a garantia de uma habitação digna.

Originalmente, o programa consistia na premiação de um funcionário mensalmente, por meio de sorteio, no valor de R$1.500,00 (um mil e quinhentos reais) em material de construção à sua escolha para executar uma pequena reforma em sua residência. Esta reforma é executada com a ajuda dos seus colegas de trabalho através de mutirão organizado nos dias de folga.

Ao observar que uma parte considerável dos colaboradores não possui casa própria e pensando nos demais direitos fundamentais: alimentação, saúde e educação; o programa passa por uma reformulação a partir de 2017, ampliando as opções de prêmio:

A) R$2.000,00 (Dois mil Reais) em material de construção caso seja realizado mutirão pela construtora;

B) R$1.000,00 (Um mil Reais) em material de construção civil; ou em tratamento médico/dentário; ou em curso de formação para o próprio, cônjuge, filhos ou pais mediante depósito em conta da instituição/loja;

C) R$500 (Quinhentos Reais) em crédito no cartão de alimentação.

É premiado a cada mês um funcionário em cada cidade onde a Biapó tenha obra(s) que somem mais de 20 operários. Lançado em 2010, o programa já contemplou mais de 100 trabalhadores.

Esta ação surge com a intenção de integrar o funcionário com seus colegas de trabalho, uma vez que as reformas executadas em sistema de mutirão possibilitam o aumento do entrosamento entre a equipe de trabalho, na medida em que aumenta o sentimento de colaboração do grupo e ainda ajuda a fixar dois dos principais valores da empresa: o trabalho em equipe e a valorização do ser humano.

Para estar habilitado a participar do sorteio, o funcionário deve ser contratado direto da construtora e não possuir falta registrada no mês anterior ao sorteio.

As diretrizes do programa Biapó em sua Casa também levam em conta a participação efetiva dos trabalhadores nas aulas de Educação Patrimonial e Cidadania e no Projeto de Educação de Jovens e Adultos Trabalhadores (PEJAT), o que pretende estimular a qualificação de seus colaboradores. Não podem concorrer ao prêmio os funcionários que ocupam os cargos de mestre de obra, engenheiro, arquiteto e outros membros da administração nem aqueles que já foram premiados uma vez.

Em espírito de cooperação, os funcionários da Biapó fazem mutirões nos dias de folga para concluir as reformas nas casas dos colegas ganhadores.

O transporte para todos os voluntários e também do material de construção para o local onde vai acontecer a obra será garantido pela Biapó.

ALFABETIZAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS TRABALHADORES

A iniciativa surgiu da constatação de que alguns funcionários não sabiam ler nem escrever, ou tinham alguma deficiência educacional. Com o objetivo de devolver a esse grupo o direito de dar os primeiros passos para a educação formal, desde 2008 são oferecidas aulas de alfabetização dentro dos canteiros das obras da construtora. As aulas são direcionadas individualmente, de acordo com o perfil de cada funcionário e seu grau de instrução, resultando em um plano de estudo personalizado. São sempre realizadas em horário regular de trabalho, permitindo a participação de todos os funcionários e promovendo a capacitação de toda a equipe.

A qualificação profissional não é apenas um conjunto de conhecimentos técnicos e de habilidades, uma vez que inclui a relação dos indivíduos com seu contexto social, construído em determinados campos de valores e representações do mundo.

Diante disso, a Biapó entende que seu compromisso com o mercado vai além da restauração de monumentos e obras de arte.

A construção de cidadãos mais confiantes e preparados para a vida profissional e social também está no escopo de seus projetos. No ano de 2012, trabalhos de natureza social elaborados desde 2011 ganharam corpo e amadureceram. Novas ideias e parcerias de âmbito educativo também vieram à tona. É o caso do EJA, sigla que denomina o projeto de Educação de Jovens e Adultos, e que, dentro dos canteiros de obra da empresa, tornou-se o PEJAT, incluindo o termo “trabalhador” ao original.

Na Biapó, o projeto educativo alinha-se ao tema da educação para o patrimônio.

O ensino torna-se mais direcionado, utilizando palavras e termos que remetem diretamente ao conhecimento específico das atividades de restauração. Um diferencial em suas aulas. O aluno é o próprio trabalhador da empresa que muitas vezes desconhece o entendimento de patrimônio. A proposta pedagógica é alfabetização com base em práticas e vivências dos aspectos patrimoniais, aplicados às questões do âmbito do trabalho da restauração arquitetônica.

Essa forma de ensino faz parte do conceito de Letramento, isto é, o aprendizado formal por intermédio de palavras que pertencem diretamente ao contexto em que o aluno está inserido, pessoal e profissionalmente. Ao mesmo tempo em que se apresenta um novo conhecimento aos alunos trabalhadores, é possível um mergulho em seu próprio cotidiano. A proposta não se torna estanque, visa estimular e aflorar o espírito crítico de cada um dos alunos, para que estes utilizem sua bagagem de vida para refletir e agir em sua sociedade com mais autonomia.

O projeto procura estimular a capacidade de ler e escrever dos funcionários, ajudando a resgatar a dignidade dos trabalhadores. As aulas são ministradas por profissional contratado especialmente para lecionar e atender à demanda pedagógica dos alunos. Para os já alfabetizados é oferecida a oportunidade de aperfeiçoamento do conhecimento da língua e, para os não alfabetizados, o aprendizado começa do zero.

EDUCAÇÃO PARA O PATRIMÔNIO E CIDADANIA

O programa de educação para o patrimônio teve início no segundo semestre de 2008 durante as obras realizadas pela construtora na cidade do Rio de Janeiro. Com aulas ministradas sempre em horário regular de trabalho, propicia a todos os funcionários que participem sem prejuízo de suas atividades fora do canteiro de obras.

As ações de educação para o patrimônio apresentam-se como um conjunto organizado de procedimentos e diretrizes cujo principal objetivo é a valorização do ser humano e de toda a sua produção cultural. É um processo de sensibilização, um exercício de reaprender, revisitar, refazer percursos. Procura-se ainda trazer ao debate as narrativas constituídas em torno do patrimônio e reapresentá-las e aproximá-las da memória daqueles que, mesmo inconscientemente ou de forma indireta, integram este mesmo universo patrimonial – os seus sujeitos, elementos de um grupo, sociedade, comunidade e lugar. O bem edificado em processo de restauração, sua história e peculiaridades propiciam o debate e a construção de saberes.

O programa é coordenado por profissionais com formação e vivência na área das ciências humanas aplicadas. Optou-se, em sua metodologia, por delinear as possibilidades do patrimônio cultural dentro de uma dinâmica contemporânea, em que os bens culturais podem converter-se em elementos fundamentais para o enriquecimento das experiências pessoais e para uma melhor compreensão das experiências anteriores de sua própria sociedade.

As aulas de educação patrimonial oferecidas pela construtora funcionam como mecanismos de inclusão social, contribuindo para ampliar o acesso dos trabalhadores às noções de história das civilizações, das artes, das técnicas e das diversas manifestações artísticas da cultura.

Este eixo tem como foco de atuação os trabalhadores da empresa. O impacto e os resultados alcançados decorrem da apropriação do conhecimento dos temas das aulas e na ressignificação do aprendizado, conduzindo o operário a uma categoria de agente ativo e multiplicador do entendimento e no trato com a conservação e comunicação do patrimônio cultural. Este programa tem como intenção desenvolver em seus funcionários as seguintes atividades cognitivas:

. Identificação dos objetos: sua função e significado, juntamente ao desenvolvimento da percepção visual e simbólica;
. Fixação do conhecimento percebido e o aprofundamento da análise crítica;
. Desenvolvimento da memória, pensamento logístico, intuitivo e operacional;
. Identificação de monumentos e prédios históricos;
. Identificação de estilos arquitetônicos e artísticos;
. Temporalidade histórica: história das ideias e mentalidades.

Os conteúdos dos programas das aulas são discutidos e elaborados em colaboração com especialistas de diversas áreas do conhecimento: arqueologia, arquitetura, engenharia, história, artes, museologia e pedagogia. O programa que se apresenta funciona como uma organização didático-cronológica para sistematização do programa de aula e agrega, sobretudo, as indagações trazidas pelos interessados no decorrer da execução do programa. As aulas são aplicadas em módulos básicos e tópicos especiais, acompanhadas de suportes técnicos.

CANTEIRO ABERTO

Este projeto teve início na obra de restauração da Igreja Matriz de Pirenópolis, em Goiás, logo após o incêndio de 2002. Após um período de projeto e montagem da exposição, a visitação foi aberta em 2004. Nos dois anos da exposição, mais de 52 mil pessoas tiveram a oportunidade de visitar o Canteiro. Com a experiência bem sucedida em Pirenópolis, o projeto foi aplicado em outras obras como no salvamento emergencial da Igreja Matriz de São Luis de Tolosa em São Luiz do Paraitinga-SP, que recebeu em seis meses cerca de 2 mil visitantes, e ainda na obra de restauração do Mercado Adolpho Lisboa em Manaus. A experiência mais recente do projeto foi durante o salvamento emergencial da Capela São Pedro de Alcântara, no Rio de Janeiro, em 2011.

O programa canteiro aberto parte do princípio de abertura dos canteiros de obras da empresa para visitação pública. A ideia é envolver a comunidade no processo de restauro por meio da visitação do local durante a obra, tornando públicas as ações e decisões.

Para divulgar esse processo de recuperação patrimonial são montadas exposições no interior da obra, composta por fotografias e painéis com informações sobre as metodologias adotadas durante a obra. As entradas para a visitação das exposições são sempre gratuitas.

Diante do conceito de que restaurar monumentos históricos significa fazer reviver à comunidade seu passado e sua autoestima, a abertura do canteiro de obras para o público permite que o visitante tenha a oportunidade de vivenciar o processo de recuperação do bem edificado, possibilitando que elas se sintam mais inseridas nas suas cidades e, ao observar o cuidado com o qual o trabalho de restauração deve ser desenvolvido, haja mais responsabilidade em relação ao seu patrimônio.

Esse programa se insere no terceiro valor da empresa, a valorização da história, uma vez que a exposição possibilita que o visitante tenha conhecimento sobre a história do Bem Patrimonial e passe a ter sentimentos sobre a importância da preservação e divulgação do passado.

A construtora Biapó esteve entre as empresas vencedoras da etapa estadual da 14ª Edição do Prêmio SESI Qualidade no Trabalho (PSQT), em março de 2010, e foi premiada em 2º lugar na modalidade Média Empresa, na categoria Inovação, com o programa Canteiro Aberto.

INCLUSÃO SOCIAL PELO TRABALHO

Desde 2009, a Biapó desenvolve ações de “Inclusão Social pelo Trabalho”, que se caracterizam pela contratação de pessoas em situação de desvantagem social para trabalhar nas obras de restauração arquitetônica e artística de prédios históricos. Envolve parcerias com instituições e comunidades no contexto geográfico onde as obras estão inseridas.

Este programa se alinha às diretrizes das políticas sociais e aos marcos legais, nacionais e internacionais, que preconizam a proteção aos direitos humanos e inclusão das pessoas com deficiência (físicas, mentais e psicossociais), entre outros grupos vulneráveis no mundo de trabalho, como já previsto na Convenção nº 159 da Organização Internacional do Trabalho, ratificada por meio do decreto presidencial nº 129 de 22 de maio de 1991 (BRASIL, 1991); na Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, ratificada por meio do decreto presidencial nº 6.949 de 25 de agosto de 2009 (BRASIL, 2009), assim como na Lei nº 8.213 de 24 de julho de 1991, popularmente conhecida como Lei de Cotas.

Como marco inicial destas experiências, podemos citar duas obras no Rio de Janeiro. A primeira no ano de 2009, no Instituto Benjamin Constant (IBC) – originalmente intitulado “Imperial Instituto dos Meninos Cegos”. Na ocasião foram contratados cinco trabalhadores com deficiência visual por meio de bolsa auxílio em regime de trabalho de meio período na função de aprendiz no canteiro de obras. A segunda experiência de inclusão, foi em 2011 na obra de restauração do Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), quando a construtora contratou colaboradores com deficiência auditiva no regime da CLT para período integral, nas funções de auxiliar de serviços gerais, pintor, ajudante e pedreiro.

Em 2015, na obra de restauração do Palácio Universitário da UFRJ,  a continuidade do projeto de inclusão nasceu mediante a parceria interinstitucional da Construtora Biapó, do Instituto de Psiquiatria e do Departamento de Terapia Ocupacional (DPTO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em conjunto com a Superintendência de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SSM/SMS-RJ), por meio de sua a Assessoria Técnica de Geração de Trabalho, Renda e Cultura e dos CAPS III João Ferreira e Franco Basaglia.

A Construtora ofertou seis vagas de trabalho para pessoas com transtornos mentais em tratamento na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) (BRASIL, 2011) da cidade do Rio de Janeiro, conforme legislação vigente (Artigo 93 da Lei nº 8.213/91). Esta iniciativa nasceu como possibilidade de resgate do uso original da edificação como Hospital Psiquiátrico, isto é, de ressignificação de sua história, a partir do trabalho colaborativo com a Universidade, no âmbito da sua comunidade, e das atividades de ação e reflexão ali desenvolvidas.

BÔNUS E RESULTADOS

Os resultados obtidos durante o decorrer dos programas apresentados foram de grande orgulho e satisfação. O que começou como uma pequena experiência cresceu, ganhou força e se expandiu, e hoje se pode afirmar que a construtora Biapó adota em seu modelo de gestão uma postura socialmente responsável.

A integração do cotidiano no canteiro de obras, com as aulas de alfabetização educação patrimonial e cidadania, para os colaboradores, culmina em um esforço para envolvê-los intelectualmente com as obras de restauração e assim promover uma participação mais arrojada na empresa e, por extensão, na sociedade.

Desde a criação do programa Biapó em sua casa, em 2010, muitos trabalhadores premiados puderam melhorar suas casas, fazendo ampliações e reparos de manutenção com a ajuda técnica dos profissionais da Biapó. O programa possibilitou ajudar famílias com necessidades, alguns que sofreram com a ação da chuva, outros que iniciaram uma reforma, mas ficaram sem recursos, e aqueles que puderam enviar o material de construção para melhorar a estrutura da casa onde moram familiares em estados distantes.

A experiência da implantação do programa canteiro aberto foi de grande sucesso, uma vez que o número de visitantes em cada exposição esteve na casa dos milhares. O público presente variou nas mais diversas faixas etárias e foi composto por acadêmicos, alunos do ensino fundamental e superior, estrangeiros, locais e turistas.

As ações de Inclusão Social pelo Trabalho desenham-se pela contratação de pessoas em situação de desvantagem social para trabalhar nas obras de restauração arquitetônica e artística de prédios históricos. Envolve parcerias com instituições e comunidades no contexto geográfico onde as obras estão inseridas.

O programa Bônus e Resultados consiste em um sistema de pontuação e avaliação dos operários em suas obras com fins de distribuição de parte dos lucros da empresa. A metodologia adotada pretende motivar um maior empenho e participação dos empregados no cumprimento das metas estabelecidas pela empresa e nas demais ações componentes doBiapó Além dos Números, tendo como contrapartida a recompensa por meio de incentivos financeiros.

Um resultado de grande significado para a construtora foi o aumento relevante na retenção de mão de obra. Hoje, 31% dos funcionários possuem mais de dois anos de carteira assinada pela empresa, um índice quase três vezes superior à média nacional.

Os programas apresentados ajudam a reforçar a identidade e os três valores estabelecidos pela Biapó:

 

A valorização do ser humano;

O trabalho em equipe;

A valorização da história.

 

A construtora Biapó pretende dar continuidade aos programas apresentados, que compõem o programa Biapó além dos números, e prevê a ampliação, em parceira com outras entidades. Várias parcerias foram realizadas nestes últimos anos, tanto no campo da qualificação profissional como em ações de fortalecimento da cidadania, como listadas a seguir:

1-IPHAN
. Projeto de capacitação em conservação e restauro
. Oficinas de técnicas de conservação de elementos integrados em jardins históricos

2-SECONCI / SENAI
. Oficina mundo do trabalho
. Oficina mundo da construção civil
. Programa de desenvolvimento gerencial – mestres e encarregados
. Treinamento para qualificação profissional – de acordo com a escolaridade de cada
funcionário a empresa o encaminhará ao curso de acordo com as aptidões apresentadas.
No momento, o SECONCI dispõe de 14 cursos.

3-Universidades
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO
. Apresentação do programa de educação para o patrimônio em congressos e seminários
junto ao centro de ciências humanas e sociais, escola de museologia profª drª Alejandra
Saladino e no 3º fórum agentes do patrimônio – Fórum de Mestres e Conselheiros.

 

Prêmios

Prêmio Guia 4 rodas – 2006
Categoria: melhor projeto de restauro
Instituição concedente: Guia 4 rodas – Editora Abril
Obra: restauro da Igreja de São Francisco de Assis – Pampulha – Belo Horizonte-MG

 

Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade – 2007
Categoria: preservação de bens móveis e imóveis
Instituição concedente: Ministério da Cultura
Obra: restauração da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário – Pirenópolis-GO

 

Prêmio SESI de qualidade no trabalho – 2010
Categoria: inovação – 2º lugar – empresa de médio porte
Instituição concedente: Serviço Social da Indústria – SESI
Programa Canteiro Aberto

 

Prêmio SESI de qualidade no trabalho – 2012
Categoria: gestão de pessoas – média empresa
Instituição concedente: Serviço Social da Indústria – SESI
Programa Biapó em sua Casa

 

Prêmio SESI de qualidade no trabalho – 2012
Categoria: educação e desenvolvimento – menção honrosa
Instituição concedente: Serviço Social da Indústria – SESI
Programa Educação para o Patrimônio

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