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Ano V Edição nº 40 - Janeiro/Fevereiro de 2016
Concluída a obra do Hotel Nacional

Os dois painéis de azulejos de Michael Gross e de um autor desconhecido, o painel de concreto de Carybé, as duas esculturas (Sereia, de Alfredo Ceschiatti e a Baiana, de autoria desconhecida) e o lustre de Pedro Corrêa de Araújo do Hotel Nacional foram restaurados.Considerado um dos mais importantes do Rio de Janeiro, o hotel passa por intervenções após vinte anos de abandono, tendo sido tombado pelo patrimônio municipal em 1998.

Segundo o restaurador Wagner Matias de Sousa da Construtora Biapó, uma das maiores surpresas foi a montagem do painel de concreto do artista plástico Carybé,também conhecido por seu trabalho como desenhista e ilustrador de livros famosos como “O sumiço da santa” de Jorge Amado, “Cem anos de solidão” de Gabriel Garcia Márquez e “Macunaíma” de Mário de Andrade.

"Ninguém tinha visto ainda o painel, de 45 metros por 3 de altura, porque ele estava desmontado. Suas 270 peças de concreto estavam literalmente amontoadas", contou, ao explicar sobre a singularidade deste trabalho, feito com placas de isopor sulcadas nas formas criadas pelo artista para produzir o efeito de alto relevo.

Para o painel de azulejos do designer gráfico e produtor de cinema Michael Gross, criador da inesquecível logomarca do filme “Caçadores de fantasmas” (Ghostbusters), foram confeccionadas peças sob medida para recolocar o equivalente a cinco metros quadrados de azulejos perdidos."Obras desse porte sempre nos trazem novos desafios, oxigena nosso espírito e nos dá um novo impulso", afirma Wagner Matias.

A restauradora Luiza Di Blasio Bandeira, integrante da equipe de restauração da Biapó, trabalhou pela primeira vez com arte moderna ao recuperar o lustre do artista Pedro Corrêa de Araújo,que frequentou grupos de vanguarda parisiensese conheceu artistas como Pablo Picasso, Fernand Léger, Juan Gris, Diego Rivera e Henri Matisse. Segundo ela, o lustre de papelão, fios de ferro, barbante e resina acrílica estava bastante danificado. "Foi um trabalho mais complexo. Pela mistura de materiais, cada um degradou de uma maneira diferente em contato constante com a maresia. Havia manchas de umidade no papelão e deferrugemnaresina."Luiza,quetambém participou do trabalho no painel de Carybé, destaca a oportunidade de entrar em contato com uma estética bem brasileira.

A inauguração do Hotel Nacional está prevista para junho. A obra faz parte do projeto de revitalização de São Conrado, bairro carioca que desfruta de uma situação bastante peculiar por suas características geográficas. Localizado entre a Pedra da Gávea e o Morro Dois Irmãos, cercado pelo Maciço da Tijuca, possui um terço de seus seis quilômetros quadrados em áreas de preservação ambiental, no eixo que liga o Leblon à Barra da Tijuca.

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Pode-se dizer que São Conrado é um bairro relativamente novo. Até o início do século passado, a área abrigava duas fazendas, a Quebra Cangalhas, onde hoje é a Rocinha, e outra de cana-de-açúcar, cuja sede continua de pé, no Gávea Golf Club. A figura mais marcante do período foi Conrado Jacob Niemeyer, um dos proprietários da região. Ele construiu a igreja que existe até hoje, junto à Estrada das Canoas (dedicada ao santo que leva seu nome), e cedeu parte das terras para a abertura da ligação com o Leblon, na encosta do Vidigal, daí as denominações da Avenida Niemeyer e de todo o entorno.

Fotografia: Felipe S. Cohen

O Sebrae inaugurou, no dia 10 de março, a obra de restauração dos casarões do Centro de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB), localizados na Praça Tiradentes.

O CRAB, idealizado pelo Sebrae, tem a missão de ampliar a comercialização das peças produzidas pelos artesãos brasileiros e proporcionar mais uma opção de lazer no coração cultural e histórico da capital carioca durante as Olimpíadas de 2016.

O prédio passou por uma cuidadosa restauração, que mobilizou 130 trabalhadores, entre pedreiros, eletricistas, marceneiros, bombeiros e montadores, durante dois anos. A obra teve o acompanhamento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac). Foram usados mais de 1000 metros quadrados de Ipê Champanhe de Manaus, produto de reflorestamento, e 540 metros quadrados de ladrilhos hidráulicos, de São Paulo e Minas Gerais. Até mesmo a cor original da fachada foi pesquisada e reproduzida.

Entre os destaques está o processo de restauração do grupo escultórico do século XIX, composto por quatro peças que representam alegorias gregas com atributos iconográficos de inspiração positivista. A primeira escultura, apoiando uma âncora, representa a navegação; a segunda, simbolizada pelo pergaminho na mão direita e o templo grego na mão esquerda, remete à sabedoria e ao conhecimento; a terceira estátua, mais uma alegoria grega, simboliza a indústria e o progresso mecanicista, tendo a bigorna e a marreta na mão esquerda e uma engrenagem na mão direita, na altura do peito, como uma medalha; a quarta é a reprodução de Ceres, deusa da agricultura, com uma braçada de trigo do lado esquerdo, fazendo alusão à abundância. Esculpidas em terracota pigmentada, cada uma delas tem 2,10 metros de altura e pesam, aproximadamente, 600 kg.

As esculturas que representam a sabedoria e a indústria foram replicadas e posicionadas sobre as platibandas do prédio, nas fachadas principais, voltadas para a Praça Tiradentes. As peças originais foram expostas em local protegido, dentro do casarão. As demais foram restauradas e permaneceram no mesmo local.

O trabalho dessas peças foi realizado pelo artista plástico Sérgio Oliveira. Na primeira etapa, foram feitas análises químicas para saber se os originais aceitariam o tratamento de moldagem e como reagiriam aos produtos aplicados. "O molde foi feito em silicone, e as peças reproduzidas com uma resina especial para resistir ao tempo. A fibra de vidro funcionou como um contramolde por dentro. As estátuas originais não são mais capazes de resistir ao clima e podem sofrer sérios danos se expostas à chuva, ao vento e ao sol", relata, mostrando a necessidade de produção das duas réplicas.

O restaurador Wagner Matias de Sousa chamou a atenção para a qualidade do trabalho. "Conseguimos reproduzir cópias idênticas. O trabalho ficou excelente", garantiu.

Fonte: Construtora Biapó e Agência Sebrae de Notícias.
Fotografia: Roberto Pontes

Além de expor o artesanato brasileiro em sua diversidade regional e de tipologia, o CRAB será um espaço de reflexão e de aproximação comercial. Um auditório de 80 lugares abrigará seminários e debates sobre o tema, e salas permitirão contatos e rodadas de negócio que ampliem o mercado do artesanato. Uma loja-conceito oferecerá ao público uma seleção apurada de peças provenientes de todo o país, publicações e livros. Já o restaurante servirá pratos da gastronomia brasileira. Estão previstas três exposições por ano, e já na inauguração o público poderá conferir mais de quatro mil peças, entre expostas e à venda.

Avança a restauração do
Mercado Municipal de Goiás

No Mercado Municipal da Cidade de Goiás, parte das alvenarias externas do bloco B – o único com cobertura em telha francesa –, foi recomposta com tijolos cerâmicos maciços. Devido à substituição das portas metálicas de enrolar por portas de madeira, mais adequadas ao conjunto arquitetônico, foi necessária a demolição dos trechos de alvenaria sobre os vãos para acomodar as portas de madeira, que são mais altas. O tijolo cerâmico maciço se mostrou o material mais adequado para a reconstrução, pois permite uma melhor distribuição das cargas oriundas da cobertura, protegendo, assim, a alvenaria original de possíveis trincas e fissuras.

Os portais de madeira e as soleiras em pedra foram instalados, e o novo contrapiso – que passou por um processo de impermeabilização para reduzir problemas de infiltração na base das paredes, muito comum em edificações históricas – foi executado no interior de todos os ambientes. Após essa etapa, teve início a montagem das folhas das portas tipo “camarão”, abrindo para fora, como forma de garantir mais espaço no interior dos ambientes.

De toda a área de reboco remanescente do prédio antigo, 85% foi retirado e substituído, pois se encontrava solto ou com outras patologias. As telhas de cerâmicas do tipo francesa foram reaproveitadas e instaladas após limpeza e higienização. Entretanto, sempre há perdas neste tipo de serviço, por isso um pano de cobertura foi executado com telhas francesas novas. Também foram realizados acabamentos em beirais, espigões e cumeeiras, com arremate feito de telhas coloniais para os espigões e do tipo celote para a cumeeira.

As salas receberam forro plano - opção adotada como forma de proteger o topo das alvenarias e a parte de cima do forro contra pombos e demais aves.

Os sanitários receberam forro do tipo treliça. Também foram assentados revestimentos cerâmicos no piso e nos rodapés, e soleiras de pedra de Pirenópolis. As paredes receberam tinta branca do tipo PVA e as esquadrias, verde bandeira para os portais e verde folha para o restante das esquadrias. As instalações elétricas e hidrossanitárias foram totalmente refeitas, assim como a instalação de telefone e som. A entrega do bloco B ocorreu no dia 23 de março, e os permissionários desta parte do Mercado já podem ocupar seus lugares de forma definitiva. A próxima etapa é a execução do bloco C, a última da restauração arquitetônica, restando apenas a área externa.
Biapó em sua Casa

O último mutirão do Programa Biapó em sua Casa foi feito em Duque de Caixas, no Rio de Janeiro, na residência de Francisco Rogério, pedreiro de acabamento na obra do Palácio Universitário da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que trabalha na Biapó há 2 anos.

O trabalho foi feito na Vila Sarapuí e teve, inclusive, a participação da própria família do ganhador. Sua esposa Raquel Carla Silva Oliveira e as filhas, Emily Vitória de Oliveira e Isabel Silva Oliveira, foram assistentes de obra.

Rogério conta que há muito tempo desejava fazer uma melhoria em sua casa, e a chegada do prêmio foi o maior incentivo para a realização da empreitada.

Com o dinheiro do prêmio, troquei o piso da cozinha, da sala e do corredor e terminei meu banheiro, fiz também um box com restos de material de obra. Ficou maneiríssimo! Quero muito agradecer a empresa por essa oportunidade de ser premiado e ter terminado minha obra. Ficamos todos satisfeitos lá em casa.
Márcio Jorge da Silva Santos, servente na obra do Centro de Referência do Artesanato Brasileiro, foi outro sorteado. Ele mora no Bairro da Tijuca e ainda está fazendo o levantamento do material e o orçamento para marcar a data do mutirão.

"Chegou em boa hora, estava precisando muito. Vou fazer o emboço de dois cômodos. Trabalhei na Biapó durante cinco anos, me desliguei por um tempo e estou retornando agora. Com um mês, já fui sorteado, foi presente de boas-vindas. Esse programa é uma ótima ideia", disse bem-humorado.
Arquivo de imagens: Francisco Rogério
ERRATA Na edição anterior, informamos que a escultura Baiana, do Hotel Nacional, era atribuída a Carybé. No entanto, a autoria desta obra é desconhecida.
Expediente

Biapó Notícias é um orgão de informação da Construtora Biapó Ltda.
Coordenação editorial: Adriano Carvalho | Jornalista Responsável: Armando Araújo GO0554 JP |
Textos: Armando Araújo, Adriano Carvalho e Cláudia Nunes |
Colaboração: Bartira Bahia, Camila Furloni, Daniel Vilhena e Sérgio Costa | Fotografias: Arquivo Biapó, Felipe S. Cohen e Roberto Pontes | Revisão: Julieta Garcia.
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