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Ano V Edição nº 36 - Março/Abril de 2015

O trabalho de restauração do Conjunto Arquitetônico Bom Pastor, concluído recentemente pela Construtora Biapó, foi reconhecido como sendo de ótima qualidade pelos técnicos do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade - órgão responsável pela preservação do patrimônio histórico do município do Rio de Janeiro - durante um seminário promovido no canteiro de obras. A obra também recebeu elogios dos proprietários da empresa contratante Montserrat e dos proprietários dos apartamentos, um diferencial criado pelo projeto. Na oportunidade, foi destacada a importância do empreendimento e o desafio técnico envolvido no processo de restauro.

Para a Construtora Biapó, as dimensões e características do conjunto, o prazo exíguo inerente ao contrato com o cliente privado e o empreendimento imobiliário se caracterizaram como os maiores desafios. O envolvimento e o esforço do corpo técnico da Biapó possibilitaram a conclusão dos serviços nos prazos exigidos e a manutenção do padrão de qualidade.

A obra foi realizada com respeito e compromisso da Biapó com o meio ambiente e a gestão responsável dos recursos naturais. Foram reutilizados materiais originais, tais como estruturas, esquadrias, escadas e pisos de madeiras de lei. Telhas cerâmicas de origem francesa, pisos hidráulicos ingleses e ferragens de metal foram totalmente resgatados e reaproveitados, assim como a aquisição de materiais naturais como areia e madeiras certificadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). A reutilização desses materiais oriundos da própria edificação se alinha, ainda, aos preceitos de restauração mais aceitos mundialmente.

Não foram registrados acidentes durante todo o período de obra, todas as situações que envolveram operações de risco foram bem gerenciadas pela equipe, sem danos aos operários e aos bens materiais envolvidos. Todos foram treinados e certificados para a correta manipulação dos elementos construtivos originais, o que resultou no aproveitamento elevado de esquadrias, muitas com mais de 100 anos de existência.

As fachadas, depois de prontas, revelaram a restauração e a recomposição de cerca de 300 vãos de esquadrias, com pintura artística imitativa de

gnaisse, e demandaram mais de 30 amostras, empregando diversos artistas e técnicos por cerca de 6 meses. O resultado foi um cenário inédito, que remete ao início do século XX, e oferece um belo presente visual, além do resgate histórico do bairro e do patrimônio da cidade do Rio de Janeiro.

Segundo a equipe envolvida, "estamos entregando mais um projeto com orgulho e satisfação em função do seu diferencial e resultado, que, nas palavras de todos, ultrapassou as expectativas quanto à qualidade e o acabamento".

A igreja Bom Pastor, o principal edifício do conjunto, construída no estilo Neogótico, apresenta 100 metros quadrados de vitrais alemães do atelier Franz Mayer de Munique (responsável pelos vitrais da Igreja da Candelária no Rio de Janeiro), que foram restaurados pelo atelier Luidi & Gonçalves Vitrais, o maior da América Latina, indicado pela Construtora Biapó, que acompanhou o todo o desenvolvimento desse processo de restauro.

Segundo o vitralista Luidi Nunes, o maior problema enfrentado durante o trabalho foi restaurar os danos causados por restaurações antigas que não foram feitas adequadamente. Ele destacou a excelência da obra e o resultado do trabalho.

"Foi uma obra muito especial. Os vitrais da Bom Pastor foram feitos pela mais conceituada oficina de vitrais do mundo, a Franz Mayer, de Munique, que também fez os vitrais do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. É a união da precisão alemã com a beleza, com a estética da europa continental. Você pode notar a semelhança entre os ornatos que existem no Teatro Municipal e na Igreja Bom Pastor", afirmou ele, que é considerado a maior referência no Brasil não só em recuperação como também em criação de vitrais, e é membro brasileiro da Stained Glass Association of America.
História_________________________

O conjunto arquitetônico da Rua Bom Pastor, situado na Tijuca, no Rio de Janeiro, teve seu primeiro pavilhão construído em 1895 e incluía a igreja e uma ala do convento, que seria ampliado ao longo do primeiro quarto do século XX, mais notadamente na década de 1930, quando ganha o status de utilidade pública no Governo Vargas.

A ordem das freiras (Bom Pasteur D' Angers) originárias da França se especializou em cuidar de mulheres em situação de risco – na época denominadas “moças perdidas”, e incluíam mulheres envolvidas com prostituição, expulsas de casa, egressas do sistema prisional, entre outras situações. Ali eram ministrados cursos para a inserção no meio profissional, trabalhos domésticos e devocionais.

O projeto imobiliário_______________

Na década de 1990, a gestão de Fernando Collor tirou a chancela de utilidade pública da instituição, que fatalmente caiu em decadência pela falta de repasses do Governo Federal e fechou as portas. A ordem deixou o Rio, apenas um pequeno grupo continuou no Brasil, em São Paulo. O edifício foi abandonado e, em 2010, o consórcio imobiliário formado pela construtora Montserrat e a Construtora Calçada comprou o terreno e o licenciou para a construção de lofts no corpo do edifício do convento e mais duas torres com 12 pavimentos ao fundo do terreno.

Durante a execução do projeto de restauro, a cargo das empresas ARS URBE Projeto & Pesquisa, foram identificados prédios anexos como lavanderias, instalações destinadas a cozinhas industriais, alas de acolhimento, salas de aulas e diversos outros, demostrando que as atividades do convento ao longo do século XX foram intensas, abrigando centenas de mulheres acolhidas, um grande número de religiosas e voluntárias da sociedade envolvidas com trabalhos sociais.

Concluída a primeira etapa de restauração do Mercado Municipal da Cidade de Goiás

O Mercado Municipal da Cidade de Goiás, para efeito de execução da obra, foi dividido em cinco blocos, nomeados de A a D, mais a rodoviária. Os acréscimos descaracterizantes, como a rodoviária e as pequenas ampliações das demais edificações, serão demolidos, o que possibilitará uma releitura mais harmônica e a melhoria na circulação dos permissionários e visitantes.

Com o intuito de minimizar o impacto da obra no cotidiano de quem trabalha e visita o local, a Prefeitura Municipal, contratante da obra, e o Iphan, fiscal e financiador através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC -Cidades Históricas), em conjunto com os comerciantes, decidiram executar o processo em etapas.

A primeira, concluída em abril, com a finalização de parte do Bloco E, objetivou suprir e aumentar a área de lojas que serão extintas com a demolição da rodoviária. Durante a restauração, esse bloco abrigará os permissionários de onde estarão sendo feitos os reparos. Com a conclusão dessa primeira metade do Bloco E, dividido em dois prédios contíguos, os comerciantes do Bloco A - o mais antigo do mercado, cuja fachada é a única a receber ornamentos em argamassa - foram transferidos. A intervenção deve durar 3 meses e contempla todo o espaço, do piso à cobertura. Serão feitas ainda novas instalações elétricas, hidrossanitárias, de telefone e gás.

Após concluída a obra, o Bloco A abrigará as seguintes lojas: Pastelaria do Emival, Verdurão e Artesanato do Hélio, Verdurão e Artesanato do Heleno, Tabacaria, Bolo de arroz da D. Inês, Casa Beija-Flor, Carmen Artesanato, Museu/Artesanato e Casa Rios.

O bloco E, projetado e construído para dialogar esteticamente com as demais edificações, deixa claro seu caráter de atualidade. Erguido com estrutura de concreto armado e alvenaria de tijolos, sua arquitetura, marcada pelas linhas e ângulos retos, denota sua contemporaneidade enquanto a cobertura em telhas coloniais se divide em duas águas e as grandes portas de madeira maciça permitem que o edifício se instale sem interferir no conjunto arquitetônico.

Biapó em sua casa

O mutirão do Programa Biapó em sua Casa do mês de fevereiro foi realizado em Realengo (RJ), na residência de Nilzete Pires dos Santos (sorteada n° 36), auxiliar de serviços gerais na obra de restauração do antigo Solar Visconde do Rio Seco CRAB/SEBRAE, que trabalha na Biapó há cinco anos.

O prêmio foi aplicado na melhoria e acabamento da casa. Foi executado o emboço da fachada principal, e a cozinha recebeu aplicação de cerâmica nas paredes e instalação do piso.

A equipe formada por Alexandre Catroli (motorista), José Felipe dos Santos (pedreiro), Pedro de Souza Ota (encarregado), João Marcos da Silva (encarregado), Sergio Costa (museólogo) e Maurício Xavier (fotógrafo) foi recompensada com uma deliciosa feijoada carioca.

Exposição Azul Cobalto

Colaboradores da Construtora Biapó, que são alunos do Letramento, visitaram, no dia 11 de fevereiro, a exposição Azul Cobalto - Azulejos e Memórias, formada por azulejos produzidos em distintos países (Holanda, França, Bélgica, Portugal, Alemanha e Inglaterra), mostrando a evolução técnica e estilística destes objetos presentes na arquitetura brasileira desde o século XVII.

Na Galeria Rio Scenarium, eles foram recebidos pela curadora Cristina Lodi, que coordenou a visita guiada. Da Coleção de Azulejos Nelson Torzecki, destacam-se os acervos de azulejaria holandesa de motivo isolado, produzidos entre os séculos XVII e XX; os azulejos Barroco e Rococó, elaborados em Portugal nos séculos XVIII e XIX, incluindo um antigo painel do Convento de Santo Antônio, situado na cidade do Rio de Janeiro; e ainda os Registros de Santos existentes nas antigas casas de subúrbio e outros inúmeros azulejos produzidos entre o final do século XIX e início do XX, que integraram os interiores e as fachadas das edificações de nossas cidades.

Cedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), foi exposto também parte de um painel inédito elaborado por Cândido Portinari para o Palácio Gustavo Capanema, prédio considerado um marco na arquitetura modernista da cidade e do Brasil. A

exposição também trouxe peças de cerâmicas produzidas por outros grandes artistas brasileiros como Ivan Serpa, Anísio Medeiros e Burle Marx. O tema da azulejaria na contemporaneidade é referenciado nos trabalhos de Adriana Varejão, Jorge Selarón e do Coletivo Muda do Rio de Janeiro.

A exposição Azul Cobalto – Azulejos e Memórias se insere na primeira etapa do desenvolvimento do Circuito Colaborativo Arte e Cultura Scenarium, que visa identificar, selecionar, pesquisar, catalogar e organizar as obras de arte e antiguidades, documentos, objetos decorativos e mobiliário que compõem o acervo do Grupo Scenarium, buscando reconhecer seu interesse histórico e cultural e, consequentemente, seu interesse público, permitindo, assim, sua incorporação definitiva à Coleção do Instituto Rio Scenarium.

Aulas Especiais de Educação Patrimonial

A Construtora Biapó reformulou os quatro módulos básicos para seu novo Programa de Educação Patrimonial. Todo o conteúdo do material educativo foi renovado, assim como seu layout gráfico. Foram incluídos quatro seminários especiais ministrados por profissionais do departamento técnico da empresa e profissionais parceiros. Dois deles já foram realizados, e os demais ocorrerão em breve.

O primeiro módulo, ministrado pelo Mestre em Restauro Carlos Nunes e pautado em tópicos como acabamentos, revestimentos e ornatos, ocorreu durante a segunda quinzena de janeiro e todo o mês de fevereiro.

Já o segundo módulo ficou a cargo do arquiteto Almyr Costa e do estagiário Daniel Vilhena. O tema central foi a sensibilização dos colaboradores para as questões do dia-a-dia de um canteiro de obras, desde a restauração até as noções básicas de leitura do projeto. As aulas ocorreram ao longo de todo o mês de abril.

Inscrições abertas para 28º edição do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade

Os trabalhos representativos são divididos em duas grandes categorias: Iniciativas de excelência em técnicas de preservação e salvaguarda do Patrimônio Cultural, que visa valorizar e promover iniciativas de excelência em preservação e salvaguarda, envolvendo identificação, reconhecimento e salvaguarda, pesquisas, projetos, obras e medidas de conservação e restauro; Iniciativas de excelência em promoção e gestão compartilhada do Patrimônio Cultural, que objetiva valorizar e promover iniciativas referenciais que demonstrem o compromisso e a responsabilidade compartilhada com a preservação do patrimônio cultural brasileiro, envolvendo todos os campos da preservação e oriundas do setor público, do setor privado e das comunidades.

O edital divulgado no Diário Oficial da União tem premiação no valor de R$ 30 mil como estímulo e forma de reconhecimento aos projetos selecionados.

Até o dia 15 de maio, estão abertas as inscrições para a 28ª edição do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, concurso de caráter nacional promovido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em reconhecimento às ações de preservação do patrimônio cultural brasileiro que mereçam registro, divulgação e reconhecimento público em razão da sua originalidade, vulto ou caráter exemplar.

Expediente

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Textos: Armando Araújo, Adriano Carvalho e Cláudia Nunes |
Colaboração: Bartira Bahia, Camila Furloni e Sérgio Costa | Fotografias: Arquivo Biapó | Revisão: Julieta Garcia.
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