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Biapó promove Aulas de Letramento em canteiro de obras
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olaboradores da Construtora Biapó participam de Aulas de Letramento duas vezes por semana, no canteiro da obra de restauração do Palácio Universitário da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ministradas pela pedagoga Simone Santos dos Reis. A turma com nove alunos, de idades entre 30 a 50 anos, faz parte do projeto de alfabetização que existe há quatro anos e já ensinou diversos trabalhadores a ler e a escrever. "O aprendizado também passa pela compreensão do letramento do mundo, e estamos trabalhando o prazer da leitura. Para isso, utilizamos poesias e contamos histórias. Nosso desafio é estimular a prática das habilidades da leitura e da escrita na vida de cada um, porque eles já levaram uma vida inteira sem saber ler e escrever e não utilizam essas capacidades como aqueles que foram alfabetizados mais cedo. Mesmo assim, a diferença é sentida na hora de pegar um ônibus ou ler uma planta baixa", conta Simone Santos.

Atualmente, a matemática também está sendo ensinada nas aulas, que começaram com as quatro operações básicas e já abordam noções de perímetro e área, importantes para o trabalho na Construtora. "Eles faziam os cálculos de cabeça, mas não conseguiam fazer no papel. O aprendizado ajuda na hora de lidar com medidas e escalas. Tento trabalhar com coisas reais para exercitar o raciocínio lógico. A fita métrica, por exemplo, resolve questões de matemática na prática. Também uso jogos e atividades lúdicas," afirma a pedagoga. Ela garante que aprende com os alunos e vai descobrindo as operações feitas no dia a dia da obra, como, por exemplo, o cálculo do número de ladrilhos para uma determinada área, levando em consideração que as caixas das peças já possuem uma metragem definida. Com esse conhecimento, os trabalhadores adquirem cada vez mais autonomia e compreensão de mundo, o que, de acordo com Simone, torna o processo de letramento gratificante.

CPRM visita obra do Palácio Universitário
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o dia 23 de outubro, uma equipe da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) do Rio de Janeiro, conhecido como Serviço Geológico do Brasil, visitou a obra do Palácio Universitário da UFRJ para conhecer as técnicas de restauração utilizadas pela Biapó. Estiveram presentes José Antônio Castellano, chefe do Gabinete da Presidência do CPRM; Laura Maria Rigoni Dias, assistente da Divisão de Patrimônio; Nathalia Winkelmann Roitberg, assistente da Área de Relações Institucionais e Desenvolvimento; Ursulla Brhenda T. da Fonseca, do Serviço de Administração e Finanças; Rubem Bentes Nahmias Júnior e Vinicius Pontes, chefe e analista do Centro de Saúde e Segurança do Trabalho, respectivamente.

Equipe do CPRM visita a obra do Palácio Universitário

Fachada

Telhado

Passadiço

Boca de peixe

Escultura

Tubos de queda

Telhado

Fachada Gradil

Telhado

O interesse surgiu da necessidade de restauro do prédio do CPRM, que possui a mesma técnica construtiva que a do Palácio e um histórico semelhante de desgaste do telhado e problemas na estrutura. Segundo Daniel Vilhena, da Construtora Biapó, a equipe visitou o canteiro para ver como eram solucionados tecnicamente os problemas de restauro e conheceu as réplicas da estrutura do prédio feitas especialmente para a discussão e escolha dos procedimentos mais adequados, com a participação de fiscais e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). “Após esse processo é que atuamos diretamente na estrutura que será restaurada”.

Os profissionais do CPRM visitaram a Capela de São Pedro de Alcântara, que passou por um incêndio, e a obra de um dos blocos da fachada principal. Também analisaram o telhado e a cúpula reconstruída. Atualmente, encontra-se em análise um termo de cooperação técnica entre a Biapó e o CPRM.

Programa Biapó em Sua Casa premia mais um colaborador
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sorteio do Programa Biapó em Sua Casa do mês de outubro contemplou a colaboradora Rejane Alves, que trabalha na obra do Palácio Universitário da UFRJ e faz parte do Programa de Inserção de Usuários de Saúde Mental pelo Trabalho. Com o prêmio recebido, a ganhadora irá fazer a cobertura da laje e a tubulação do esgoto sanitário.

"Estou feliz demais. Com meu salário, consegui fazer um melhoramento na parte de baixo, mas sem a cobertura, estava muito apreensiva com a chegada das chuvas, porque entra água dentro da casa e poderia pôr a perder todo o trabalho recente. Então fui sorteada, e o material já está todo aqui",

A colaboradora também fez questão de compartilhar sua experiência de inclusão pelo trabalho. Depois de passar cerca de três anos sem sair de casa por causa da síndrome do pânico, ela diz que o programa de inclusão da Biapó fez diferença em sua vida.

"Depois que comecei a trabalhar, melhorei muito. Hoje, vou e volto sozinha. Saio de casa, pego ônibus e trem. Aprendi que posso viver com meu próprio dinheiro, consigo ser mais independente. Aprendo a fazer coisas novas e participo de outras atividades como o Letramento e a Educação Patrimonial. Aprendi a conviver com a diversidade. Sei o valor do patrimônio histórico e o significado da palavra

restauração. Restaurar é conservar nosso patrimônio. Cada grade que aprendi a decapar me faz ser parte da história. Tenho orgulho disso", afirma, agradecendo seus parceiros de trabalho com quem aprendeu as técnicas e habilidades.

Ela também disse que percebe a diferença da realidade da saúde mental no Brasil. "Antes tinha que esconder meus remédios nos meus antigos locais de trabalho. Hoje trabalho no prédio que foi o primeiro hospício do país, mas essa situação mudou graças à luta antimanicomial. Vejo a diferença, hoje tenho assistência psicológica no meu trabalho. Espero que esse programa continue e que sejam incluídas mais pessoas", disse.

Forte de Nossa Senhora dos Remédios é tema da aula de Educação Patrimonial
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última aula de Educação Patrimonial promovida abordou a história do Forte da Vila dos Remédios, também conhecido como Forte de Nossa Senhora dos Remédios, localizado no arquipélago de Fernando de Noronha, com a participação de colaboradores, nos meses de setembro e outubro.

A Vila dos Remédios corresponde a um dos antigos núcleos de ocupação do Arquipélago de Fernando de Noronha. Trata-se de uma praça-forte portuguesa do século XVII composta por dois pátios, um localizado no entorno da Casa do Comandante e o segundo no entorno da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, datada de 1772.

Esta fortificação foi erguida sobre as ruínas de uma antiga posição neerlandesa, remontando às vésperas da segunda invasão holandesa no Brasil. Foi abandonada após a capitulação do Campo do Taborda, em Recife, em 1654.

Ocupada por forças da Companhia Francesa das Índias Ocidentais, a Coroa portuguesa determinou sua retomada, colonização e fortificação ao governador da capitania de Pernambuco. Sem encontrar resistência, foi iniciada a construção do Forte de Nossa Senhora dos Remédios de Fernando de Noronha, do Reduto de Santo Antônio de Fernando de Noronha e do Reduto de Nossa Senhora da Conceição de Fernando de Noronha, obras ampliadas a partir de 1741.

Em 1848, durante a Insurreição Praieira, serviu como prisão política. E em 1935, com a repressão à Intentona Comunista, voltou a receber seiscentos prisioneiros políticos, mantendo o presídio em atividade até a criação do Território de Fernando de Noronha, em 1942. Os prisioneiros foram então transferidos para Ilha Grande, no litoral do estado do Rio de Janeiro.

Nesse ano, no auge da batalha pelo Atlântico durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o arquipélago voltou ao mapa, pela sua importância estratégica em termos de suporte logístico para as patrulhas antissubmarino da Força Aérea Brasileira (FAB) e da United States Air Force (USAF) para as embarcações de apoio aéreo da US Navy quando da invasão da Normandia (em junho de 1944); apoio técnico aos sistemas de cabos submarinos que ligavam o subcontinente sul-americano (Recife) ao continente africano (Dakar), operados pela inglesa Western Telegraph Company e pela italiana Italcable, esta última sob intervenção brasileira após a declaração de guerra ao Eixo e defesa desse território insular brasileiro contra uma possível agressão.

Administrado pelo Estado Maior das Forças Armadas (EMFA), no início de 1986 iniciou-se a exploração turística do arquipélago. No Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho desse mesmo ano), foi declarado como Área de Proteção Ambiental (APA), permitindo a exploração turística racional do local, de forma a preservar seu ecossistema, sobretudo a vida marinha.

A Ilha de Fernando de Noronha possui um conjunto de onze fortificações: Forte de Nossa Senhora dos Remédios; Fortim da Praia da Atalaia; Reduto de Nossa Senhora da Conceição; Reduto de Santa Cruz do Morro do Pico de Fernando de Noronha; Reduto de Santana; Reduto de Santo Antônio; Reduto de São João Batista; Reduto de São Joaquim; Reduto de São José do Morro de Fernando de Noronha; Reduto de São Pedro da Praia do Boldró; Reduto do Bom Jesus.

Esta aula fez parte da série Obras Novas, que terá como próximo tema Goiânia - Patrimônio Art Déco e a Estação Ferroviária.

Seminário Internacional em comemoração aos 80 anos do Iphan discute futuro do patrimônio cultural
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o ano em que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional completa oitenta anos, seus esforços e atenções voltam-se para uma missão fundamental: refletir sobre a evolução da política de preservação e a gestão do patrimônio cultural. Assim, com foco nos próximos oitenta anos, o Iphan promoveu, entre os dias 26 e 27 de outubro, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, o Seminário Internacional O Futuro do Patrimônio.

A programação trouxe palestrantes representantes de Portugal, Espanha, Holanda, Suécia, Canadá, China, Argentina e Brasil. Os debates foram divididos em quatro blocos com temáticas distintas, consideradas fundamentais para o futuro das políticas patrimoniais: cultura arquitetônica, cultura antropológica, cultura arqueológica e cultura urbanística e documental. Com a mediação de representantes do Iphan, os especialistas apresentaram experiências internacionais relacionadas ao assunto e dialogaram com as possíveis aplicações e demandas do Brasil.

Os arquitetos Daniel Vilhena, Bartira Bahia, Camila Furloni, Thatiane Moraes e Isabella Rocha, o museólogo Sérgio Costa e o engenheiro Jorge

Campana estiveram presentes para acompanhar as discussões que buscaram antever qual patrimônio cultural a atual geração deixará para as futuras.

O evento é parte de uma extensa programação que ocorre ao longo de todo o ano, dentro das comemorações do aniversário da instituição. “Com o slogan Iphan+80, foram estabelecidas parcerias e uma extensa agenda com foco no que foi feito em prol da conservação e salvaguarda do patrimônio cultural brasileiro, a fim de salientar as difíceis condições para exercemos a missão institucional durante essas oito décadas e questionar a sustentabilidade do modelo de gestão patrimonial existente no país”, explica a presidente do Iphan, Kátia Bogéa.

Revista do Patrimônio

Na agenda do primeiro dia do Seminário Internacional, 26 de outubro, houve o lançamento da edição comemorativa da Revista do Patrimônio. Esta publicação teve sua primeira edição lançada em 1937, logo após a criação do Iphan, sob a coordenação do primeiro presidente da instituição, Rodrigo Melo Franco de Andrade. Durante esse período, foi o meio para divulgação de artigos e ensaios sobre patrimônio, arte e história, com a colaboração de inúmeros especialistas, de dentro e de fora do Iphan, tais como Lucio Costa, Gilberto Freire, Mário de Andrade, Curt Nimuendaju, Heloisa Alberto Torres, entre outros.

Para esta edição comemorativa, que tem patrocínio da Vale, a revista se dividiu em dois tomos: um retrospectivo, com olhar crítico para o passado a partir da ação do Iphan ao longo de oito décadas de desafios na condução das políticas de preservação do patrimônio cultural no Brasil; e outro prospectivo, que, assim como a proposta do seminário, atenta para o futuro, promovendo a reflexão e a ampliação da consciência patrimonial.

Por 80 e mais 80

O lançamento da revista e do evento são parte das ações incluídas na proposta do Iphan+80. Criado por lei em 1937, a história do instituto se confunde com a trajetória cultural do Brasil. Ao longo desse período, a política nacional na área de preservação foi expandida e se relaciona hoje com diversos campos de atuação, como gestão urbana, gestão ambiental, educação, direitos humanos e culturais.

Nesses oitenta anos de atividade foram tombados 87 conjuntos urbanos, o que implica cerca de 80 mil bens em áreas tombadas e 531 mil imóveis em áreas de entorno já delimitadas. O Iphan também tem sob sua proteção 1,2 mil bens materiais tombados, 8 terreiros de matrizes africanas, 24 mil sítios arqueológicos cadastrados, mais de um milhão de objetos arrolados (incluindo o acervo museológico), 41 bens imateriais registrados, além de cerca de 250 mil volumes bibliográficos e vasta documentação de arquivo.