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Ano V Edição nº 34 - Dezembro de 2014
texto prainha

As atividades da obra de escoramento, cobertura provisória e restauro arquitetônico da Igreja São Francisco da Prainha, localizada no Adro de São Francisco, no Bairro da Saúde, no Rio de Janeiro, começaram a ser executadas pela Construtora Biapó em outubro de 2013.

No mês de novembro, foram realizados diversos serviços: enceramento do piso do coro, colocação de rodapés, substituição pontual de pedras no entorno da igreja, aplicação de rejunte no calçamento tipo pé de moleque em volta da obra, revisão de limpeza do mármore no interior, limpeza e desmobilização do canteiro, remoção de emboço e reboco soltos, pintura do muro externo, colocação dos lustres e luminárias, entre outros.

A restauração arquitetônica e estrutural, ou seja, a parte civil, já está pronta. Entretanto, houve um acréscimo de serviços no contrato, que inclui também a restauração dos bens móveis: os altares principais, dois laterais e o da Sacristia. A obra deverá ser entregue em março de 2015.

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Levantamento Histórico linha

A Capela da Ordem Terceira de São Francisco da Prainha, como é originalmente chamada, está localizada na região portuária da cidade do Rio de Janeiro e insere-se no plano “Porto Maravilha Cultural”, que tem o intuito de promover a reestruturação local, por meio da ampliação, articulação e requalificação dos espaços públicos da região.

Para que fosse feita a restauração, foi feito um levantamento histórico, pela Mestre do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal Fluminense (PPGH-UFF), Letícia Ferreira, para assegurar as intervenções de conservação, renovação e reconstituição realizadas neste bem tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). A execução do projeto respeita a obra histórica sem prejudicar seus estilos e sua trajetória ao longo do tempo.

A Igreja de São Francisco da Prainha é um exemplar do estilo barroco, entretanto, enquanto os principais representantes desse movimento artístico destacam-se pela grandeza e efeitos volumétricos, a construção em questão apresenta traços de simplicidade, possuindo dimensões relativamente pequenas e poucos ornamentos.

Sua fachada é composta por duas janelas simétricas, um vitral circular e uma porta.

A igreja sofreu poucas alterações desde sua segunda fundação (1738). No arquivo Noronha Santos/IPHAN-RJ, além da documentação que registra seu tombamento, encontram-se referências a reformas e reparos, principalmente no telhado. Para o período compreendido entre os anos de 1960-1970, foram solicitados reparos estruturais pautados nas vistorias realizadas entre 1950-1955.

Os vidros das janelas possuem um contorno que lembra o traçado gótico, ornamentados por molduras em bico, proporcionando uma sombra profunda. A porta possui frontão com moldura de tabernáculo, duas colunas que sustentam o frontão. É possível identificar duas janelas em cada lateral e uma porta.

Já a Sacristia está à direita da torre sineira. Apesar de não terem sido identificadas imagens do interior desse espaço no conjunto de documentos, há informações de que existam alguns registros: um retrato do Padre Francisco da Mota, em tamanho natural e pintado a óleo, uma imagem de Santo Ivo e dois painéis que representavam São Francisco de Assis.

exemplos
ornatos

Um grupo de deficientes visuais de várias entidades visitaram, no dia 20 de novembro, a Exposição Ornatos - Biapó 25 anos em exibição na Vila Cultural Cora Coralina, em Goiânia, até 30 de junho de 2015.

A mostra oferece ampla acessibilidade por meio da audiodescrição de todas as peças com visitas guiadas por monitores especialmente treinados, além de informações publicadas em um folheto especial em braile. Também foram incluídos materiais utilizados no processo de restauração, como tijolos e serragem, para serem tocados e cheirados, e gravações dos barulhos característicos do canteiro de obras, permitindo uma experiência mais realista e sensorial.

A superintendente de Patrimônio Histórico e Artístico da extinta Secretaria de Estado da Cultura de Goiás (SeCult), Deolinda Conceição Taveira Moreira, definiu a exposição como "a junção do patrimônio histórico com a garantia do direito à cultura". Para ela, conseguir reunir todo esse conhecimento sem negar a acessibilidade, permitindo que as informações sejam vistas até por cegos, é o máximo da sensibilidade.

Deolinda Conceiçao
É uma exposição inovadora, mesmo que
existam outras iniciativas semelhantes como
a do Museu de Arte Contemporânea (MAC) de
São Paulo, que produz réplicas dos objetos para
serem tocados pelos deficientes visuais. Aqui
trabalhamos com outra perspectiva e também
garantimos o direito para um público que está
sempre excluído."
Deolinda Conceição Taveira Moreira

O treinamento, a audiodescrição e a tradução para o braile foram feitos por Sonia Miranda, psicopedagoga do Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (CRER), e pelo deficiente visual Audier Silva Gomes, ambos da SeCult, coprodutora do evento em parceria com a Vila Cultural Cora Coralina.

De olhos vendados linha_2
Olhos Vendados

Visitantes visuais normais que desejaram ter uma experiência diferente e ter as mesmas sensações que um deficiente visual tiveram a opção de vendar os olhos e participar das visitas guiadas com audiodescrição, como fez o graduando em Arqueologia, Leonardo Lopes Garcia.

"Quis ter essa vivência para ter uma maior noção de como a exposicão pode realmente incluir o deficiente visual, para ter a experiência tátil e auditiva que é proporcionada aqui. Achei que ficou muito bom. A descrição das imagens é muito boa e permite a compreensão das fotografias e imagens. Sem isso, não seria possível entender", avaliou.

A exposição exibe material multimídia, fotos e vídeos exclusivos sobre os bastidores das obras de restauração de monumentos históricos, especialidade da empresa. As imagens e os depoimentos de operários e especialistas oferecem um gratificante passeio pelos lugares em que o patrimônio histórico vem sendo preservado no Brasil.

Vivência sensorial linha_3

A funcionária pública Marilia Martins de Souza, que tem visão parcial (apenas 10%), gostou da oportunidade. "Pude conhecer a origem das cidades. Achei muito interessante essa iniciativa da Biapó e da SeCult. Para nós, é mais difícil compreender, e é importante a audiodescrição para incluir o deficiente, para que ele saiba o que está nas fotografias e vídeos", afirmou.

Idilma Sales
Marilia Martins
Idilma Sales

"A exposição está sendo de grande valia em virtude da audiodescrição, porque me dá acesso ao que realmente está dentro da imagem", avaliou Idilma Sales dos Santos, bacharel em Direito e deficiente visual total. Ela também elogiou a experiência sensorial de poder tocar os materiais utilizados e ouvir os sons do ambiente da construção. "Tocar e sentir o cheiro do tijolo e da serragem nos leva para dentro do ambiente", descreveu.

O pedagogo Veimatos Caldeira Duarte também se sentiu, de certa forma, transportado para as cidades da exposição. "Não conheço Pirenópolis, mas tive a noção do que aconteceu lá, de como era a igreja, como é o processo de restauração. É uma experiência rica para gente, a descrição das imagens cria a noção do que pode ser. Você cria a própria imagem na sua cabeça, imagina como pode ser. Sons e objetos facilitam muito", garantiu ele.

Veimatos Caldeira

Além do grupo de deficientes visuais, a exposição foi prestigiada pela equipe de profissionais da Biapó do Rio Janeiro, que visitou a capital e as cidades históricas de Goiás e Pirenópolis.

As imagens das obras de restauração da Igreja Matriz de Pirenópolis (Goiás) e do Santuário de Matosinhos (Minas Gerais), inluídas no acervo exposto, marcam a trajetória de mais de 20 anos da Biapó. As fotos do "antes e depois" da restauração de diversas fachadas pelo Brasil e os registros do Programa Biapó em sua Casa, iniciativa que tem por finalidade melhorar as condições de moradia dos colaboradores da empresa, são os destaques da mostra.

A exposição propõe uma aproximação da comunidade e sua história, abrindo as portas da Biapó para que todos possam ter acesso aos bastidores, observar o edifício além da fachada, a escultura além de suas formas e sentir como a arte e a cultura transformam o lugar, as pessoas e mantêm viva a identidade de um povo. O processo de

restauração envolve não só os trabalhadores diretamente envolvidos, mas também a comunidade que vive em contato com o bem tombado.

Preservar a arte, a cultura e a história é fundamental para a manutenção da identidade cultural de um povo. A conservação de bens culturais e históricos possibilita o contato das novas gerações com o que foi produzido por seus antepassados, promove o autoconhecimento e mantém viva a memória dos modos de fazer e pensar desta sociedade. Foi esse pensamento que levou a Construtora Biapó a se especializar em restauro patrimonial.

A empresa, fundada em 1989, em Goiânia, iniciou sua trajetória no restauro em 1994, quando foi convidada a restaurar o Museu de Arte Sacra da Boa Morte, na Cidade de Goiás. A partir de então, a Biapó seguiu nesta área nos estados de Goiás, Tocantins, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Amazonas e Distrito Federal.

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Colaboradores Biapó

Os grupos de colaboradores da Construtora Biapó e da empresa Equipe Retrô - arquitetos, estagiários, museólogos, funcionários administrativos, de segurança e de educação - visitaram a Cidade de Goiás (Patrimônio Histórico da Humanidade), Pirenópolis e Goiânia para conhecer as diversas obras de restauração realizadas pela empresa e visitar a Exposição Ornatos - Biapó 25 anos, em exibição na Vila Cultural Cora Coralina.

Guiados pelo diretor Manoel Garcia, na Cidade de Goiás, eles conheceram o Museu da Boa Morte, a Catedral, o Sobrado da Real Fazenda, a Igreja São Francisco de Paula, o Hospital São Pedro, a Igreja do Carmo, a Igreja de Santa Bárbara e a Igreja da Abadia. Além do passeio histórico e profissional, foi oferecido um roteiro turístico com trilhas ecológicas até o Poço Sucuri. Durante a estadia da equipe, foram feitas visitas aos pontos mais tradicionais das duas cidades: Casa de Cora, Fonte da Carioca, Mosteiro Beneditino, Largo do Chafariz, Quartel, Praça do Coreto, Mercado, Igreja da Matriz e centros históricos.

A pedagoga e alfabetizadora no Programa de Educação de Jovens e Adultos Trabalhadores (PEJAT), Simone Reis, disse que a viagem foi uma experiência importante, trouxe novos olhares e conhecimento além da análise arquitetônica. "Tivemos conhecimento de uma outra realidade, o contato com a história viva, bem diferente da situação do

Colaboradores

Rio de Janeiro, onde prédios antigos são substituídos por espigões modernos e perdemos contato com a história da cidade. Na Cidade de Goiás, tudo isso está vivo, e o contato com a comunidade também nos mostrou as contradições, a convivência entre o antigo e o desejo do novo com a preocupação de que a história não se desfaça", contou ela, ressaltando que foi uma oportunidade maravilhosa.

Marta Rose, técnica de Segurança no Trabalho, apontou a acolhida ao grupo como o que mais chamou sua atenção. "Adorei. O grupo foi muito bem acolhido por onde passou. As cidades são aconchegantes, boa comida, cachoeiras, e a convivência foi muito gostosa", disse.

Daniel Vilhena, estagiário de Arquitetura, teve a oportunidade de visitar a região Centro-Oeste pela primeira vez. "Foi muito bacana. O que mais me chamou a atenção é que, além da preservação arquitetônica da Cidade de Goiás, os costumes das pessoas também estão bem preservados. É diferente de outras cidades turísticas onde apenas os prédios foram preservados e os costumes não são mais os mesmos", destacou.

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Biapó em Sua Casa

O senhor Antônio Raimundo da Silva, 57 anos, natural do Piauí, foi o sorteado da 55ª edição do Programa Biapó em sua Casa, que já reúne histórias de vida muito interessantes. Seu Raimundo, como é conhecido, é aluno do PEJAT, mora em Belford Roxo e tem quatro filhos. Admitido em junho de 2014 como carpinteiro de esquadria na obra do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), ele acompanhava ansioso os sorteios mês a mês.

O Departamento Institucional do Rio de Janeiro tem concentrando esforços e reunido pessoas para atualizar as informações e a programação para a execução dos mutirões, que contribuem para a melhoria da habitação dos colaboradores, promovendo cidadania e integração das equipes.

O Programa Biapó em sua Casa, implantado desde 2010, retratado em um módulo fotográfico na Exposição Ornatos - Biapó 25 anos, se destaca na trajetória da construtora.

Antonio Raimundo da Silva
Eu aguardava muito este
prêmio e estava mesmo
precisando. Deus me ouviu."


Antônio Raimundo da Silva (no centro).
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design Semana Design Rio

A Construtora Biapó promoveu oficinas gratuitas de Ornatos durante a Semana do Design Rio, realizada pelo Jornal O Globo. Na programação, palestras, estudos de caso, workshops, além de grandes convidados nacionais e internacionais do design mundial.

Dias 5 e 7 de novembro, a oficina executou ornatos na fachada do Solar Visconde do Rio Seco, edifício em processo de restauro e futura sede do Centro de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB) do Sebrae.

No canteiro de obras, os participantes visitaram também a Exposição Canteiro Aberto da Obra de Restauração, onde foram exibidos painéis explicativos sobre o restauro do prédio e um vídeo do Sebrae sobre o projeto da nova sede do CRAB.

Na oficina, o encarregado Frank Leid Rodigheri e o restaurador Sando Cunha transmitiram informações sobre as técnicas de fundição de ornatos e os materiais a serem utilizados na execução de moldes a partir do uso do silicone. Foi apresentada ainda a experiência da “Bernardinho Ornatos”, empresa com larga experiência no mercado.

Um pequeno Manual de Como Fazer Moldes de Silicone (a partir do modelo existente) e amostras de material para fundição foram distribuídos, e as peças fundidas durante a oficina foram disponibilizadas aos participantes.

No dia 6, outra oficina foi realizada na Igreja São Francisco da Prainha, uma das mais antigas da cidade do Rio de Janeiro, onde também foi realizada a visita na Exposição Canteiro Aberto dessa obra de restauração.

Design Rio
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Colaboradores da Biapó se reúnem em confraternização de fim de ano

A Construtora Biapó reuniu cerca de 150 colaboradores e familiares para uma festa de confraternização de fim de ano, no dia 13 de dezembro, no Rio de Janeiro.

A trajetória de 25 anos de desafios e conquistas na área da restauração do Patrimônio Histórico também foi motivo de comemoração, com o agradecimento à equipe de profissionais empenhados na manutenção dos programas que promovem os valores da tradição, da ciência, da arte e da cidadania a todos os colaboradores envolvidos na luta pela preservação do patrimônio cultural edificado.

A equipe do Rio de Janeiro, representada pelo Departamento Institucional, coordenadores, grupo técnico e de canteiros, experimentou com satisfação a alegria de fazer parte desta história.

O evento ocorreu no Canteiro de Obras do Sebrae, antigo Solar do Visconde do Rio Seco, na Praça Tiradentes, no Centro do Rio de Janeiro.

Foi servido um almoço com churrasco e bebidas e realizado um sorteio de brindes. Cartões Vale-Natal foram entregues aos colaboradores e uma mostra com esculturas produzidas pelos trabalhadores foi apresentada durante a Oficina de Presépio, ministrada pelos restauradores Carlos Nunes e Sandro Cunha.

Confraternização Biapó
Confraternização Biapó

Também houve a mostra de painéis, expondo imagens do Programa de Educação para Jovens e Adultos Trabalhadores (PEJATBiapó/RJ) e de Educação Patrimonial; o sorteio da 56ª edição do Programa Biapó em sua Casa; a estreia do DJ Sr. Luiz Pintor, com um set de músicas de todos os tempos e uma projeção multimídia.

Expediente

Biapó Notícias é um orgão de informação da Construtora Biapó Ltda.
Coordenação editorial: Adriano Carvalho | Jornalista Responsável: Armando Araújo GO0554 JP |
Textos: Armando Araújo, Adriano Carvalho e Cláudia Nunes |
Colaboração: Bartira Bahia, Camila Furloni e Sérgio Costa | Fotografias: Arquivo Biapó | Revisão: Julieta Garcia.
Diagramação: Ricardo Nemoto.
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