Com obras em atraso e patrimônio deteriorado, São Luís sediará encontro sobre cidades históricas

Gisele Carvalho – 24/02/2016

Em ruas como Portugal e da Palma, há vários sobrados lacrados e se deteriorando; obras de restauração, como do Palácio Cristo Rei, estão paradas, e do Palácio das Lágrimas, atrasadas, situações que demonstram descaso com o patrimônio público

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Palácio das Lágrimas: restauração deveria ser concluída em fevereiro de 2015, mas serviço continua (Foto: Biaman Prado)

Casarões abandonados e obras de restauração de prédios tombados com o calendário em atraso. Esta é a situação atual de São Luís. Em uma rápida passagem pelo Centro, constata-se a deterioração de vários prédios históricos, resultado do descaso dos proprietários e descuido e atraso de obras por parte do poder público.

Em algumas vias, como a Rua da Palma, vários casarões estão abandonados e lacrados. E até em pontos como a Rua Portugal, com sobrados com fachadas adornadas por azulejos portugueses em melhor estado de conservação, há janelas quebradas e fachadas deterioradas, cenários que podem decepcionar os visitantes.

Além do descaso por parte de muitos proprietários, há também o caso de algumas obras que estão paradas ou que podem ter atraso na entrega. O Palácio Cristo Rei é uma dessas. Prevista no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas, a obra é de responsabilidade da Universidade Federal do Maranhão e tinha um investimento previsto de R$1.433.291,29. Os serviços estão paralisados atualmente.

Segundo o coordenador técnico do PAC Cidades Históricas no Iphan no Maranhão, Rafael Arrelaro, a paralisação foi necessária porque o projeto precisava ser revisado. “O projeto já havia sido feito há algum tempo antes de se iniciar a obra. Quando os serviços começaram, a situação do prédio era diferente. Ele sofreu um processo natural de deterioração nesse intervalo. O ataque de cupins estava maior e as infiltrações também”, lembrou.

De acordo com ele, a previsão é de que a obra seja retomada no segundo semestre deste ano ou início de 2017. O Palácio Cristo Rei tem como data provável de sua construção o ano de 1838. O imóvel já foi sede do Acerbispado, já abrigou a Faculdade de Filosofia do Estado do Maranhão e quase foi destruído por um incêndio na década de 1990.

Já no Palácio das Lágrimas, que também está na lista de obras do PAC Cidades Históricas, os serviços voltaram a ser executados depois de um bom tempo parados, o que atrasou a entrega. A placa da obra instalada em frente ao imóvel indica que o início da obra se deu em 16 de junho de 2014 e o término deveria ser em 16 de fevereiro de 2015. Mais de um ano depois, os serviços ainda continuam.

Rua Grande

A obra de requalificação urbanística da Rua Grande é uma das 44 ações deste tipo previstas no PAC Cidades Históricas em São Luís. O orçamento total a ser gasto é de R$ 133 milhões. No caso da Rua Grande, o calendário sofreu algumas alterações e as obras estão previstas para começar em março deste ano. O novo prazo foi estabelecido após readequações necessárias ao projeto inicial de revitalização.

De acordo com o Iphan, no total, os serviços no principal centro comercial da capital maranhense serão divididos em 12 etapas e feitos por quadras. O projeto urbanístico da obra inclui drenagem profunda; rede de esgotamento sanitário e será embutida toda a fiação elétrica e telefônica, que causa uma série de problemas na Rua Grande.

Também serão instalados postes de iluminação e equipamentos urbanos (lixeiras, jardineiras, bancos colocados em pontos estratégicos para não comprometer a visão das fachadas que ainda preservam as características arquitetônicas originais, iluminação artística, acessibilidade, sinalização e outros). Os equipamentos serão instalados de modo a permitir que em caso de emergência, ambulâncias e outros veículos do tipo possam se deslocar com facilidade.

Um dos pontos do projeto é o nivelamento total da via, que não terá mais calçadas, mas um piso todo em granito de altíssima resistência. Ainda de acordo com Rafael Arrelaro, o calçamento atual não é tão antigo quanto a rua. Por isso, a mudança não alterará as características originais da via. “ Inicialmente, o piso era de terra, sem calçadas. Com a implantação de bonde, entre os séculos 19 e 20, foi feita essa mudança. Área de passeio e de fluxo do bonde. Por isso, não há um comprometimento em fazer o nivelamento”, explicou.

Capital sediará encontro de cidades históricas

E é com essa realidade pouca animadora em relação ao seu patrimônio histórico, que, a partir de amanhã, São Luís recebe o 2º Encontro Brasileiro das Cidades Históricas Turísticas e Patrimônio Mundial. O encontro segue até o dia 27 e é realizado pelo Governo do Maranhão e a Confederação Nacional de Municípios (CNM), com a co-realização do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Maranhão (Sebrae-MA) e parceria da Prefeitura de São Luís. A abertura do evento ocorrerá no Teatro Arthur Azevedo e as demais atividades no Teatro João do Vale, salvo a atividade de encerramento, uma visita técnica ao Centro Histórico.

A programação contará com sete painéis de debates sobre os temas: ‘Financiamento para gestão do patrimônio histórico’; ‘A sustentabilidade da economia: boas práticas de negócios e alternativas de exploração do potencial econômico’; ‘Alternativas para a solutividade das questões sociais’; ‘A gestão urbana: políticas de habitação e ocupação em sítios históricos’; ‘O turismo como catalisador para o desenvolvimento dos sítios históricos’; ‘Cultura, turismo e a atuação do Legislativo Federal’; e ‘Governança nas cidades históricas para o desenvolvimento do turismo brasileiro’.

Fonte: O Estadão